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CPL contra museu Pessoano no Terreiro Paço
com Lusa, 10-02-2008
A vereadora dos «Cidadãos por Lisboa» e antiga directora da Casa Fernando Pessoa, Manuela Júdice, vai propor quarta-feira em reunião do executivo municipal que seja abandonada a ideia de um museu dedicado ao poeta no Terreiro do Paço.
Em causa está uma proposta do pintor Mário Silva, avançada em Janeiro durante o jantar comemorativo dos 226 anos do café Martinho da Arcada, tendo em vista a criação de um museu no mesmo edifício onde funciona aquele café que Fernando Pessoa frequentou.
A vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Rosália Vargas (PS), que participou no jantar, afirmou na altura que a proposta «não é ideia que se abandone».
A antiga directora da Casa Fernando Pessoa quer que «se faça regressar à Casa Fernando Pessoa todo o património que se encontra espalhado por gabinetes para que, sem custos adicionais, se possa manter em exposição permanente».
A eleita dos 'Cidadãos por Lisboa' propõe ainda que «sejam dadas as condições financeiras para que o espólio pessoano seja preservado e disponibilizado ao público interessado, turistas e estudiosos».
A Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, inaugurada em 1993, foi construída pela Câmara com o apoio da União Europeia e lá foi instalado o espólio que a autarquia tinha adquirido nos anos 1980 à família do poeta.
A este espólio juntaram-se, entretanto, por doação ou aquisição municipal, iconografia pessoana da autoria de Almada Negreiros, Júlio Pomar, Costa Pinheiro, Bartolomeu dos Santos, Manuel Amado, Jorge Martins, José Aurélio, entre outros.
Segundo Manuela Júdice, muitas destas peças encontram-se «espalhadas por gabinetes municipais» e outras podem degradar-se porque «o sistema de ar condicionado da Casa Fernando Pessoa encontra-se avariado há muitos meses», com um custo estimado de 5 mil euros de reparação.
A vereadora afirma igualmente na proposta que «o processo de restauro dos livros da biblioteca Fernando Pessoa encontra-se parado por falta de verba, faltando restaurar 35 por cento do total cujo custo seria de 4 mil euros».
A necessidade de digitalizar os livros para que a consulta seja possível «sem riscos de degradação» é igualmente referida por Manuela Júdice, que acrescenta que o custo daquela operação na Biblioteca Nacional é de 140 mil euros.

 

 
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