
Reunião CML de 30 de Abril
Afinal quem manda em Lisboa?
Parece que há um campeonato para ver quem é que governa", afirmou Helena Roseta
APN, com Lusa, 30-04-2008
A oposição na Câmara de Lisboa criticou hoje o que considerou ser o alheamento da autarquia em decisões importantes para a cidade, como as intervenções ferroviárias e portuárias em Alcântara.
"Nem a Câmara manda na cidade nem o Governo está a ser correcto. Parece que há um campeonato para ver quem é que governa", afirmou Helena Roseta, dos Cidadãos por Lisboa.
Ruben de Carvalho, do PCP, manifestou "perplexidade" pelo facto de "o Governo aparecer no Vale de Alcântara a explicar tudo, até os horários dos comboios", exigindo saber "que papel está reservado para a Câmara".
O vereador do PCP e Helena Roseta questionaram ainda a Câmara sobre que destino terão os hospitais que serão desactivados quando for concluído o projecto do Hospital de Todos-os-Santos.
O vereador Carmona Rodrigues, do movimento Lisboa com Carmona, criticou o facto de a Câmara estar "aparentemente fora" dos planos do Governo para Alcântara, para onde foram anunciados segunda-feira planos para um novo nó ferroviário e expansão do terminal de contentores.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa (PS), reiterou que apesar de a versão final do projecto para Alcântara já ter entrado na Câmara, não a conhecia quando se realizou a apresentação.
"Não aceitarei nunca que o Porto de Lisboa exceda as suas competências na gestão da frente ribeirinha, mas o Porto de Lisboa tem competência para licenciar o que é obra portuária, área em que a Câmara não tem qualquer competência", acrescentou.
Em relação aos hospitais, António Costa apontou que "não é nenhuma surpresa" a intenção de fechar vários hospitais em Lisboa, nomeadamente São José, Santa Marta, Capuchos, São Lázaro, Desterro e Estefânea.
Citando a lei, António Costa lembrou que quando um prémio do Estado é desafectado do uso que tinha, é à Câmara que cabe redefinir o seu uso em sede de Plano Director Municipal.
O autarca defende que no conjunto São José/Capuchos/Estefânea, há uma "oportunidade única para uma acção de revitalização conjunta" daquelas áreas.