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Plano municipal de mobilidade da Câmara Municipal
Comerciantes da Baixa de Lisboa discordam do encerramento ao trânsito
LUSA, 29-01-2009 | 3 comentários
Comerciantes e empregados de lojas da Baixa pombalina discordam da proibição ao trânsito nesta zona e no Terreiro do Paço, como propõe o novo plano municipal de mobilidade para a Baixa de Lisboa, que se encontra em discussão pública.
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Alguns comerciantes e gerentes de lojas do Rossio, Rua do Ouro e Terreiro do Paço reagiram hoje às propostas do plano da Câmara de Lisboa, considerando que o encerramento ao trânsito de veículos privados naquela zona “vem prejudicar ainda mais a crise que o comércio da Baixa já atravessa”.

“Não se deve retirar o trânsito automóvel da Baixa, porque isso é prejudicial para o comércio que já está em crise. O que se deve é criar mais condições para que as pessoas venham à Baixa”, disse à Agência Lusa António Guerreiro, gerente de uma sapataria existente há seis anos no Rossio.

“O que a autarquia devia fazer era criar mais parques de estacionamento, a preços mais baixos, e programas de promoção do turismo e comércio tradicional, e não proibir o trânsito nestes locais, o que vai matar a Baixa ainda mais”, frisou.

Ajuda às aos centros comerciais?

Para este funcionário do comércio, a proibição do trânsito automóvel naquelas zonas da cidade não as vai devolver aos peões, mas antes “canalizá-los mais ainda para as grandes superfícies comerciais”.

A mesma opinião tem a gerente de uma perfumaria, existente há dois anos também na Baixa pombalina, para quem a proibição de trânsito automóvel privado se justifica apenas aos fins-de-semana.

“As pessoas não estão para vir para a Baixa a pé, porque sempre se habituaram a vir de carro ou passar de carro para voltarem mais tarde e fazerem compras”, afirmou Carla Fernandes, sublinhando que proibir o trânsito “é o mesmo que matar a Baixa”.

Apesar de admitir a possibilidade de condicionamento de trânsito em “ruas mais estreitas da Baixa”, outra funcionária da mesma perfumaria sustentou que, “apesar dos transportes públicos serem bons neste local, a Baixa não vive só com trânsito pedonal”.

A responsável de uma loja de comunicações discorda igualmente da medida, considerando que, quando o trânsito é proibido “em situações pontuais, como manifestações, é o suficiente para o comércio tradicional acusar a falta de clientes”.

Também a gerente de uma loja de “lingerie”, que abriu há um ano no edifício onde funcionava a antiga tabacaria Caravela, considerou que acabar com o trânsito particular na zona é “quase um novo terramoto, ou seja, destruir novamente a Baixa”.

Transportes da Baixa para o rio só públicos

O plano da autarquia estabelece um corte na ligação da Baixa à frente ribeirinha para o tráfego automóvel, à excepção dos transportes públicos.

Prevê igualmente que os automóveis particulares só possam ir na direcção Santa Apolónia-Cais do Sodré-Alcântara, e vice-versa, pela Ribeira das Naus, e que o estacionamento na zona fique reservado a moradores e comerciantes.

Um estudo do especialista em Transportes, Fernando Nunes da Silva, elaborado a pedido do Automóvel Club de Portugal, concluiu entretanto que o corte de trânsito entre a Baixa e o Terreiro do Paço proposto pela Câmara de Lisboa terá “consequências muito gravosas”, sobrecarregando as áreas envolventes.
 

[3] Resposta a João
CPL, 2009-02-05 12:30:52
Caro João, a nossa posição é que se estude. Alargando esse estudo à mobilidade de toda a cidade. Não se pode avançar para alterações desta dimensão sem levar em conta todos os efeitos colaterais.
Mas pode ver mais sobre a nossa posição aqui: http://www.cidadaosporlisboa.org/index.htm?no=10100001460:01[...]
E opiniões que apoiamos aqui http://www.cidadaosporlisboa.org/index.htm?no=10100001488:01[...]

[2] E qual é a posição do movimento?
Joao, 2009-02-04 20:57:17
É muito fácil vir dizer que há quem seja contra.
A questão é: como reduzir o tráfego automóvel para que seja possível os cidadão exercerem o seu direito de se locomoverem de outras formas??
Como vocês fariam?

Acerca do último comentário: por essa ordem de ideias, então tudo seria aslfaltado, até a praia.
"Se os pés recusam-se a andar?" e se eu não tiver rodas, devo recusar-me a andar?

Viaje e veja como as zonas pedonais FUNCIONAM.

[1] E quem não tem pés?
Isabel P. Coutinho, 2009-02-02 03:15:23
As zonas pedonais não prejudicam só o comercio. Além de matarem comercialmente essas zonas, tornam-nas inacessíveis a velhos, doentes ou pessoas com dificuldade de locomoção autónoma. Podem também "matar" moradores cujo Centro de Saúde se localiza em ruas podonais, como é o caso da R. de S. Nicolau.
Como ir ali a pé, quando os pés já se recusam a andar?

 
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