Opinião
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Helena Roseta na apresentação da Comissão de Honra UNIR LISBOA
01-10-2009
"Votar nas listas do PS em Lisboa é votar em mais do que o PS – é votar na abertura à participação, ao diálogo democrático, mas também à independência, ao espírito crítico e à criatividade. As divergências não nos assustam – trabalhamos sobre elas para encontrar formas de cooperação. Sabemos que aquilo que nos une é mais importante do que o que nos separa", disse Roseta. Leia mais, clique no título.
O que está em causa nas próximas eleições é uma escolha entre duas visões e dois modelos de governo de Lisboa - entre um modelo de gestão casuística, megalómano e irresponsável do ponto de vista financeiro e um modelo baseado em regras claras, contas certas, transparência das decisões, trabalho de equipa e participação dos cidadãos.

A escolha é clara. Rejeitamos uma visão sectária da governação. Nem temos a verdade toda nem tudo o que vem dos outros é para recusar. Queremos para Lisboa uma visão aberta, cosmopolita, inovadora, inteligente e séria.

O Partido Socialista em Lisboa abriu um caminho pioneiro. Não podendo haver coligações entre partidos e movimentos, abriu as suas listas à entrada de movimentos independentes, como o movimento Cidadãos por Lisboa e a Associação Lisboa é muita gente. Outros movimentos de apoio surgiram entretanto e certamente haverá lugar para eles também. A democracia participativa, inscrita na Constituição da República, é o futuro da própria democracia representativa, porque a enriquece, a estimula e a faz renovar-se.

Votar nas listas do PS em Lisboa é votar em mais do que o PS – é votar na abertura à participação, ao diálogo democrático, mas também à independência, ao espírito crítico e à criatividade. As divergências não nos assustam – trabalhamos sobre elas para encontrar formas de cooperação. Sabemos que aquilo que nos une é mais importante do que o que nos separa.

E o que nos une são os valores pelos quais nos batemos em Lisboa. A concretização dos direitos sociais, ambientais e culturais inscritos na Constituição – o direito à habitação, o direito à educação, o direito à saúde, o direito à segurança, o direito ao ambiente, o direito à cultura. É no quotidiano da vida da cidade que estes direitos têm de ser garantidos e a câmara tem nisso um papel fundamental.

Mas o universo dos direitos é um universo em expansão. Hoje há novos direitos, que não estão inscritos em nenhuma lei. Sempre que nos sentimos agredidos na cidade é porque alguma coisa de fundamental foi violada – e quase sempre foi precisamente um direito que temos de conquistar.

Falo do direito ao silêncio, do direito ao espaço, do direito à luz do sol, do direito ao rio, do direito à árvore, do direito à paisagem.

Falo do direito à mobilidade, ao simples passeio ao pé de casa, a bons transportes públicos, à segurança pedonal.

Falo do direito à identidade e à memória, à preservação de espaços, recantos, nomes e cheiros que traçam em cada um de nós um mapa imaginário desta cidade.

Falo do direito à informação, ao atendimento, à qualidade dos serviços públicos, à transparência das decisões.

É a todos nós, cidadãos, que cabe exigir a garantia destes direitos. É essa a nova agenda da cidadania. E não haverá melhor cidade sem nova e melhor cidadania.

É por isso que é tão importante a abertura das listas do PS a movimento cívicos e independentes. Saúdo todos os presentes nesta sala. O vosso apoio é uma garantia dessa pluralidade que queremos ser e somos. A vossa ajuda e a vossa crítica serão uma condição do nosso sucesso. É que não estamos a lutar apenas pelo governo da cidade – lutamos pela mudança das próprias formas de governo da cidade.

Sabemos que há muitos cidadãos desencantados e descrentes, que não se revêem na política tal como ela se vive hoje em Portugal e já não acreditam no poder do seu voto. É também a esses que temos de nos dirigir. Só com a participação de todos, no seu bairro, na sua área profissional, na sua causa cívica ou cultural, no seu blogue, no seu facebook, poderemos ter uma visão transformadora do nosso papel na cidade.

Há 33 anos fui candidata à Câmara de Lisboa. Tinha então um lema que era um sonho: devolver o rio à cidade. O mundo deu muitas voltas e eu também. Celebramos hoje aqui, neste preciso local, uma etapa histórica que já se venceu: a devolução à Câmara de Lisboa dos terrenos ribeirinhos do domínio público que não estão afectos à actividade portuária.

Mas esta decisão é apenas um começo. Também aqui há dois modelos e duas visões que se vão defrontar no dia 11 de Outubro.

Para Santana Lopes, Lisboa “não pode nem deve ser uma cidade portuária”. Ó santa ignorância! Mas Lisboa deve a sua existência ao fato de ser um porto, uma ligação entre o sul e o norte, primeiro, uma porta de entrada para os quatro cantos do mundo, depois.

Não aceitamos essa visão dicotómica – ou a cidade sem porto, ou o porto contra a cidade. Não. O que pretendemos, à semelhança do que está a acontecer nas maiores cidades portuárias do mundo, é reconciliar a cidade com o seu porto e os lisboetas com o seu rio.

Este local onde no encontramos – a gare marítima de Alcântara – tem para a minha geração uma marca muito forte. Era daqui que se partia para a guerra. Hoje já não é esse o motivo de partida. Hoje parte-se de Lisboa porque as casas são caras, não há lugares nas creches e o dinheiro não chega. Nos últimos trinta anos, nesta cidade de partidas e chegadas foram, mais as partidas que as chegadas. Perdemos 300 mil habitantes.

Por isso o meu voto final é este: façamos de Lisboa, de novo, uma terra de chegadas – aberta à vida, aberta ao outro, aberta ao mundo.

Viva Lisboa!
 

 
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