Carta a Helena Roseta
10 Razões para o Lisboeta votar em Helena Roseta
A. Fonseca, mensagem de apoio, 13-07-2007
Nunca em toda a minha existência apoiei um candidato a qualquer eleição autárquica porque sempre tive (e tenho) um quid pro quo eterno com a classe política vigente, mal-formada e parasita. O resultado demonstra que em 30 anos de vida autárquica Lisboeta, os partidos só procuraram uma coisa: chegar à situação catastrófica actual, sendo que a responsabilidade é exclusivamente sua mas também partilhada por um certo “carneirismo” da parte dos eleitores de cunho partidário.
No actual contexto surgiu uma candidatura que goza de toda o meu apoio: a de Helena Roseta.
Enumero de seguida os valores que estão subjacentes a esta notável propositura:
1-A cidadania – não me recordo de nenhuma candidatura que se lembrasse tão exaustivamente de procurar auscultar o cidadão. O programa de candidatura, os elementos da mesma, a orgânica da campanha eleitoral, o financiamento, a recolha de assinaturas foi
feita exclusivamente por eleitores e anónimos que pouco ou nada conhecem das lides políticas, e que demonstrando a sua vontade construíram uma equipe com “garra” – um movimento de cidadania.
2-A frescura e novidade – talvez não tenham reparado, mas a Helena foi a primeira a utilizar as Novas Tecnologias ao serviço do movimento (sendo depois o mesmo modelo seguida por outras
candidatos). A apresentação da candidatura passou por um vídeo no Youtube, o testemunho dos candidatos também consta, o chat em directo nos órgãos de informação, a possibilidade de participação directa
quer através do blogue, quer através do site, quer presencialmente. Alguém teve mais abertura de integração perante a sociedade? Alguém
se imagina a chegar perante um dos partidos com grandes máquinas já montadas e ter este espírito de acolhimento?
3-A reclamação e a proposta - genericamente o Programa Eleitoral da Helena Roseta é substancialmente assente no conjunto de reclamações e propostas que a sede de campanha instituiu e na qual
cada Lisboeta teve a liberdade de expor. O programa é prático, simples e claro: introduz figurinos e novidades como o Gabinete do Tempo; a plena integração do cidadão deficiente; a acupunctura
urbana, a transparência no urbanismo mediante partilha por toda a vereação das suas competências, entre outras
4-A idoneidade – ao apresentar “cartão vermelho” à estrutura a que pertencia (PS), a Helena agarrou com vontade uma candidatura individual contra “ventos e marés”. Para mim esta atitude representa uma ruptura perante o conformismo e o autoritarismo laxista. Poderia ter ficado descansada noutro contexto, mas optou – mais uma vez – por demonstrar que em democracia nada é eterno ou omnipotente. Que me
lembre, na sua candidatura não se perfila nenhum membro atreito a “congeminações” de interesses, bem pelo contrário, existe uma clara representação da sociedade civil, que vai desde o idoso, o velho, o
reformado, o deficiente, o imigrante, o funcionário, o utente publico. Dificilmente outra candidatura se pode arrogar deste perfil, bem pelo contrario, as últimas noticias apontam em sentido contrário, ou seja, “mais do mesmo”.
5-A postura política – em toda a campanha a candidata sempre optou por um grande espírito de respeito e mutualidade – sobretudo educação – em face as outras candidaturas, provando que as corridas políticas não têm que ser necessariamente “lutas de rua”, insultos de ordem variada, “bocas” e demagogia pura.
6-O estudo aprofundado da realidade Lisboeta – em todos os debates que a Helena participou, apresentou em todos os argumentos fundamentação prática assente em valores e unidades estatísticas válidos apresentado as fontes, revelando à-vontade em todas as matérias abordadas. A maioria dos candidatos limitou-se a generalidades e pura demagogia. Incluem-se neste campo o conhecimento cabal sobre o Projecto da Baixa, a frente ribeirinha, o aeroporto, o TGV, etc.
7-A resiliência – o combate político de Helena “incomodou” o status: a prova mais evidente foram as diversas tentativas de aproximação e de acordos pré-eleitorais (desde o Bloco de Esquerda
até ao PS), a desigualdade no tratamento jornalístico, a busca do seu passado político como forma de lavar a “roupa suja” em praça pública. Mediante criatividade e isenção ultrapassou este contexto adverso.
8-A coerência – Helena Roseta não só teve a particularidade de estar do lado de fora da Câmara a auscultar e a pedir a intervenção do Lisboeta, como se deu ao trabalho de conhecer a especificidade “de
dentro” da municipalidade. Talvez por isso “sujou” as mãos a acompanhar os turnos do lixo, esteve nas oficinas municipais, visitou bombeiros e serviços sociais, abordou as estruturas sindicais. Percebeu a importância da capital humano – leia-se não-partidário - na prossecução dos objectivos da capital. Alguém mais se deu a este trabalho?
9-A unificação – de todos os candidatos, foi a única a apresentar pela primeira vez (e sempre se debateu por isto!) a proposta de um programa de “emergência”, a obrigatoriedade de, no interesse da cidade, todos os eleitos se comprometerem a solidariamente aprovarem uma proposta de trabalho comum. Aliou a isto uma visão de futuro para a cidade, mais audaz e prospectiva.
10-O pragmatismo – de uma forma bastante conciliatória e “open-minded” a abertura de Roseta aos Lisboetas e à cidade de Lisboa foi total e muito prática: talvez cite o uso dos transportes urbanos, o
andar de bicicleta, o acompanhar a mulher grávida, o simular as dificuldades de um deficiente, a integração social dentro dos bairros.
Infelizmente e apenas desta vez lamento não ser recenseado em Lisboa pois tinha a certeza de voto nesta candidatura, quer pelas provas que foi dando ao longo de quase dois meses de trabalho intenso, quer pela capacidade de ouvir. A res publica vai finalmente subir aos órgãos camarários. E na segunda feira espero dizer: habemus civitas!